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Corrida pela vacina: as empresas em destaque na Nasdaq

Atualizado: 21 de jan. de 2021

Impacto das vacinas contra a COVID-19 nas ações de farmacêuticas


Não é de hoje que a humanidade enfrenta epidemias catastróficas. O processo de se produzir uma vacina é demorado, caro e depende do interesse de diversas partes. Um caso interessante é o da gripe espanhola, que matou quase 50 milhões de pessoas entre 1918 e 1919, sendo que a comunidade científica não tinha o conhecimento do vírus responsável pela doença até 1930. Sua primeira vacina foi fabricada somente em 1944.


Por outro lado, a Covid-19, que infectou mais de 94 milhões de pessoas no mundo todo e, até hoje, matou mais de dois milhões, impulsionou a criação de uma vacina em tempo recorde: 10 anos em 10 meses. A urgência de encontrar uma solução para uma pandemia que tem consequências não só sanitárias, mas também sociais, políticas e econômicas, promoveu a mobilização de instituições de pesquisa públicas e privadas por todo o mundo.



Mapa da contaminação da Covid-19


Nessa dinâmica, a corrida para ser o primeiro laboratório a desenvolver a vacina ao redor do mundo promoveu reações das mais diversas nas bolsas de valores, com algumas ações de laboratórios e biotecnologia valorizando até três dígitos desde o início da pandemia.


Assim, temos a vacina da Pfizer/BioNTech, aprovada no mundo ocidental e resultado de uma parceria entre a empresa farmacêutica multinacional americana e a de biotecnologia alemã. As pesquisas foram iniciadas já em janeiro, antes da doença se espalhar pelo mundo. Ugur Sahin, diretor executivo da BioNTech, após ler uma publicação científica que descrevia a propagação desse vírus em Wuhan, concluiu que havia boas chances de uma pandemia ser iminente, conta sua esposa. Como a companhia não teria capacidade para fabricar os antídotos em larga escala sozinha, procurou a Pfizer e daí nasceu a parceria.


A vacina mRNA, BNT162b2, aprovada dia 02/12 no Reino Unido e 11/12 nos EUA, demonstrou uma eficácia de 95% em ensaios clínicos, porém acarreta desafios logísticos que tornam sua aplicabilidade muito mais cara para alguns países. De qualquer forma, o entusiasmo do mercado ficou claro, visto que, desde 21 de outubro de 2019, dias antes do primeiro caso de Covid-19 ser descoberto, a BioNTech teve uma valorização de 524% e a Pfizer, de 6,1%.


Cabe dizer que, embora a Pfizer não tenha demonstrado ganhos extremos em termos de valorização, em julho de 2019, a empresa anunciou uma fusão com a Mylan para formar um novo gigante de genéricos conhecido como Viatris Inc. (Viatris Inc.). O resultado desta transação é que a Pfizer já não tem medicamentos mais antigos com vendas em declínio, tais como Lyrica, na sua linha de produtos, e terá vários produtos com forte dinâmica de vendas, nomeadamente o diluente de sangue Eliquis, o medicamento contra o câncer Xtandi, e o medicamento contra doenças raras Vyndaqel. Além disso, a Pfizer tem vários produtos mais recentes, como os medicamentos para melanoma Braftovi e Mektovi, que estão demonstrando uma boa performance.


Temos também a Astrazeneca. Ela foi aprovada pela agência reguladora do Reino Unido no dia 30/12/19 e, no dia 17/01/21, foi aprovada para uso emergencial aqui no Brasil pela ANVISA junto à CoronaVac.


A vacina, que é resultado da parceria entre a Universidade de Oxford e a sueco-britânica Astra-Zeneca, é mais resistente do que as vacinas de mRNA da Pfizer e Moderna, na medida em que o DNA – componente do adenovírus presente na vacina - não é tão frágil quanto o RNA - como no caso da vacina Pfizer, e o revestimento de proteína resistente do adenovírus ajuda a proteger o material genético interno. Basicamente, a vacina Oxford não precisa ficar congelada, podendo durar pelo menos seis meses quando refrigerada a 2-8 ° C.


Sobre seu comportamento na Nadasq, a companhia valorizou, desde outubro de 2019, um pouco mais de 17%, o que não é muito, quando comparado a forte valorização de outras empresas do setor. No entanto, vale considerar que a empresa se comprometeu a vender a vacina a preço de custo enquanto a pandemia estiver em curso. Ainda assim, a AZD1222 poderá ser muito rentável para a AstraZeneca durante os próximos anos. Além disso, a empresa já tem vários produtos de grande potência no mercado, como os medicamentos contra o câncer: Imfinzi, Lynparza, e Tagrisso, por exemplo.


Agora, podemos falar da Moderna, uma empresa de desenvolvimento de vacinas sediada em Massachusetts, que estabeleceu parcerias com os National Institutes of Health para desenvolver e testar uma vacina contra o coronavírus conhecida como mRNA-1273. Tal como a vacina Pfizer-BioNTech, a vacina Moderna baseia-se em instruções genéticas do vírus para a construção da proteína spike. Um ensaio clínico demonstrou que a vacina tem uma taxa de eficácia de 94,1% na prevenção contra a Covid-19 e foi autorizada para uso emergencial em 18/12/20 pelo FDA.



Ações da Moderna, de 05/11/2020 à 25/11/2020


Apesar disso, é relevante comentar que a empresa tem gerado sentimento de incerteza nos investidores potenciais, já que, por enquanto, as receitas da empresa dependem da vacina do coronavírus, o seu único produto comercializado. Mesmo assim, desde outubro, seus papéis saíram do patamar de 15,50 dólares para 129,65 em 15 de janeiro: uma valorização de 736%.


Outra empresa que teve seu papel valorizado ao extremo foi a Novavax, que saiu de 4,41 dólares em 21/10/2019 para incríveis 127,43 dólares em 15 de janeiro. A companhia, sediada em Maryland, Estados Unidos, divulgará dados sobre o seu estudo de Fase III para a vacina Covid-19, NVX-CoV2373 em breve.

Ela destaca que a sua candidata à vacina permanece estável a uma temperatura de 2ºC a 8ºC e será enviada em uma solução líquida pronta para a aplicação, "permitindo a distribuição por canais padronizados da cadeia de abastecimento de vacinas", disse a empresa.

Enquanto parte dos ganhos nas ações foram impulsionados por resultados encorajadores nos ensaios da fase 3 da vacina NanoFlu contra a gripe do influenza em Março de 2020, uma grande parte da valorização do preço deve-se ao desenvolvimento de um candidato à vacina Covid-19 pela empresa . No entanto, a Novavax entrou na corrida bem depois que as vacinas da Moderna e a Pfizer, que começaram agora a lançar as suas vacinas, deixando a empresa com atrasos na sua linha temporal. As primeiras leituras dos ensaios da fase 3 da Novavax são esperadas por volta do primeiro trimestre de 2021 e só depois destes resultados estarem disponíveis é que a empresa poderá apresentar-se para aprovação de emergência e lançar a sua vacina. Embora o atraso não pareça relevante a princípio , considerando que há demanda suficiente para diversas vacinas contra a Covid, a Novavax pode perder encomendas lucrativas de mercados desenvolvidos.

De maneira geral, a corrida pela vacina contra a Covid-19 tem sido positiva, na medida em que isso impulsiona o desenvolvimento mais rápido do imunizante para chegar cada vez mais perto do fim da pandemia. E, como em muitos momentos, podemos enxergar o entusiasmo do mercado nas bolsas mundiais com a aproximação cada vez maior dos dias oficiais de vacinação nos diversos países do mundo. Além disso, o momento serviu para colocar em destaque nos olhos dos investidores empresas que antes não recebiam muita atenção mas que possuem bons fundamentos, como a Pfizer e empresas que ainda demonstram alto grau de incerteza quanto a seus futuros, como a Moderna.



Primeira paciente vacinada no Brasil, no dia 17/01/2021

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