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Conheça 3 estratégias para investir em ações

por Luiza Marcheni

“Você não precisa ser um cientista de foguetes. Investir não é um jogo que a pessoa com um Q.I. de 160 ganha da pessoa com Q.I. de 130. “- Warren Buffet

"Quando e quais ações devo comprar?" Jogue essa pergunta no Google e você terá milhões de respostas de buy, sell ou hold de diversas fontes diferentes sobre diferentes papéis e, inclusive, com muitas calls dizendo coisas completamente distintas. De fato, se tem algo que importa dentro do mercado financeiro é a tese final do analista, que dependerá, basicamente, de sua capacidade de analisar e interpretar as informações sobre determinado ativo. Por isso, você pode encontrar cases de uma mesma empresa que chegam a conclusões totalmente diferentes e opostas.


Então, como saber qual opinião seguir? Embora a aproximação de especialistas de sua confiança possa aumentar as probabilidades de intensificar seus ganhos, isso não significa que você deve se alienar desse processo e omitir-se do entendimento das decisões de investimento. Se você deseja entrar no mundo dos investimentos e dar mais um passo para a autonomia financeira, o ideal é que você aprenda a analisar os ativos, desenvolver raciocínios e chegar às suas próprias conclusões. Afinal, se Buffet acredita que isso é possível, por que não levar essa possibilidade em consideração?


  • Value Investing

O próprio Warren Buffet, como um dos investidores mais relevantes do Value Investing, diz o seguinte: “Quando o preço de uma ação pode ser influenciado por um ‘bando’ de Wall Street com preços estipulados na margem por pessoas influenciadas mais pelas emoções, pela ambição ou pela depressão, é difícil argumentar que o mercado sempre precifica de modo racional. Na realidade, os preços de mercado nem sempre fazem sentido.”. De fato, é a partir dessa irracionalidade que investidores em valor conseguem gerar ganhos em cima de papéis de qualidade, porém subvalorizados no mercado.


Essa estratégia consiste em encontrar ações que apresentam uma margem de segurança, ou seja, cujos preços estão abaixo do valor intrínseco da empresa naquele momento. Nesse sentido, os investidores analisam as companhias correspondentes ao papéis, procuram entender todos os seus fundamentos - no que tange à gestão, aos negócios e aos aspectos e resultados financeiros - e, então, criam uma opinião sobre a qualidade da empresa com base nos dados estudados.


Após esse processo de análise fundamentalista, eles deparam-se com a seguinte questão: comprar ou não comprar? A resposta para isso está no preço justo que eles determinarão para a companhia, o que pode ser feito, por exemplo, por meio do valuation com o método do fluxo de caixa descontado. Nesse método, os investidores projetam, com base em premissas relacionadas à interpretação pessoal deles sobre os fatos, resultados e intenções expostas pelas empresas, os seus fluxos de caixa futuros e trazem eles a valor presente, por meio de uma taxa de desconto. Em outras palavras, os fluxos de caixa são descontados a uma taxa que reflete o risco do negócio, permitindo trazer os valores nominais ao seu valor equivalente no presente. Com isso, eles chegam a um preço próximo ao que empresa realmente vale, visto que consideraram o que ela é capaz de gerar em um longo prazo. Assim, se o preço de mercado da ação for menor que o preço justo e a empresa for avaliada como de boa qualidade, a decisão, na maioria das vezes, será de compra.


Quando os dois tópicos da discussão são Warren Buffet e Value Investing, são raras as ocasiões em que não se ouve o exemplo clássico da Coca-cola: ele comprou as ações da companhia logo após a quebra da bolsa americana de 1987, indo totalmente contra as crenças do mercado. A capacidade de marketing da empresa foi um dos pontos que mais impressionaram ele e seu parceiro, Charlie Munger, pois fazia com que os consumidores sempre quisessem voltar a consumir o produto, um simples refrigerante. De fato, a Coca-cola foi um dos investimentos mais marcantes de Buffet, visto que desde de sua compra as ações valorizaram mais de 1600%.


  • Growth Investing

Embora o Growth Investing tenha suas similaridades com a estratégia de Value Investing, na medida em que ambas dão muita importância aos aspectos qualitativos de longo prazo de uma empresa, a tática em questão considera o potencial de crescimento da companhia. Dessa forma, investe-se em companhias pequenas mas com grandes perspectivas de geração de valor - as chamadas Small caps - que podem trazer, ao longo do tempo, retornos acima da média de mercado.


A lógica por trás disso é relativamente simples: uma empresa pequena e sem muito reconhecimento no mercado, hoje, pode ter um preço baixo e parecer pouco atrativa para os investidores. Contudo, se daqui a 10 anos o produto que ela oferece estourar no mercado e todos os olhares se voltarem a ela, certamente suas ações irão valorizar-se, e quem comprou seus papéis quando ela era um simples e pequeno negócio, terá uma margem de lucro muito maior.


Normalmente, tais empresas têm algum diferencial que proporcionará esse crescimento desproporcional no futuro. Um setor da economia em que isso acontece frequentemente é o da tecnologia, com o exemplo da Netflix: segundo um estudo da instituição Economatica, os papéis da plataforma de streaming, uma novidade em 2009, valorizaram 6180% na última década.


Nesse ângulo, destaca-se Philip Fisher, um clássico do Growth Investing: ele adota uma checklist para escolher empresas adequadas para essa estratégia de investimento. As 15 perguntas, abordadas em seu livro “Ações comuns, lucros extraordinários”, tocam em pontos cruciais para a análise das candidatas. De maneira geral, elas instigam o leitor a pensar se a capacidade do modelo de negócios e da gestão da empresa serão sustentáveis ao longo dos anos.


  • Dividendos

Como já discutido no post 2 dessa série, dividendos são as partes dos lucros obtidos por uma empresa de capital aberto que serão distribuídos para os acionistas, de acordo com o volume de aporte inicial de cada um. Nesse sentido, existem investidores que realizam aplicações voltadas especificamente ao recebimento de dividendos, sem pensar, necessariamente, em uma margem de segurança ou na valorização dos papéis nos próximos dias, meses ou anos. Nesse caso, o maior foco é viver de renda!


Dito isso, surge o seguinte questionamento: quais critérios devo adotar para escolher uma empresa que me dê esses ganhos constantes de renda? Antes de responder isso, é preciso entender que nem todas as empresas distribuem dividendos, já que algumas encontram-se em uma fase de crescimento e preferem reinvestir o lucro para financiar seu desenvolvimento, outras podem auferir prejuízos e não distribuí-los ou, em outro caso, a empresa simplesmente não tem o costume de repartir seus lucros historicamente.


De qualquer forma, o primeiro passo para começar a pensar em boas candidatas é encontrar empresas que tenham um bom histórico de distribuição de dividendos. Uma forma de analisar isso é por meio do indicador Dividend Yield, que é calculado por meio da divisão entre o valor anual pago por dividendo por ação e a cotação atual da ação. Nessa perspectiva, quanto maiores e mais constantes forem esses indicadores, melhores são as candidatas. No entanto, lembre-se: dados passados não significam performance futura! Portanto, o segundo passo é buscar entender os fundamentos da empresa e avaliar sua capacidade real de continuar obtendo resultados positivos para os shareholders.


Um exemplo muito bom e já trabalhado no texto “Você conhece a Grande dama dos dividendos?” é o de Geraldine Weiss. A americana focava em empresas blue chips - as de grande porte e já consolidadas no mercado - que tinham fortes balanços patrimoniais e indicavam certa segurança em relação ao provimento de dividendos no futuro.


“Quando coisas ruins acontecem com boas empresas, isso deve ser visto como uma oportunidade de compra do que a fuga de capital.” - Geraldine Weiss.

De fato, como uma leitora sagaz de Ben Graham, ela indicava buy quando essas empresas, já consideradas boas candidatas, apresentavam alguma margem de segurança nos seus preços. Dessa maneira, as recomendações do boletim informativo da investidora, o Investment Quality Trends, obtiveram, nos últimos 30 anos, um retorno de 11,2%, enquanto o índice S&P alcançava apenas 6,73%.


Em suma, essas são algumas estratégias de investimento em ações focadas, majoritariamente, no longo prazo e em uma análise fundamentalista. Porém, acredito que a melhor forma de compreendê-las e aplicar o seu conhecimento é ler a fundo sobre essas estratégias. Por isso deixo, aqui, algumas leituras fundamentais para esse estudo:


  1. "Dividends don't lie: Finding value in blue chip stocks” é a obra produzida pela rainha dos dividendos;

  2. “O jeito Warren Buffett de investir” é um livro escrito por Robert G. Hagstrom, que relata de forma analítica, didática e simples a filosofia de investimentos de Buffett, além de suas principais influências e, o mais importante, estudos de casos reais;

  3. Além da obra já mencionada de Philip Fisher, cabe lembrar ainda da bíblia dos investimentos: “O investidor Inteligente”, de Ben Graham, no qual ele apresenta sua filosofia de investimentos, que é baseada na análise do histórico de resultados das empresas para extrair o valor intrínseco delas e aproveitar oportunidades de preço no mercado.

Essas são algumas obras para quem sente a necessidade de imergir-se no mundo do investimento em foco e de aprender a extrair toda a racionalidade possível de um mercado que, muitas vezes, parece ter vida própria e uma consciência duvidável.


 

Disclaimer: reforçamos que todo o conteúdo da Impactus UFRJ é feito apenas sob propósito didático, não sendo nossa intenção fazer qualquer orientação ou recomendação sobre qualquer tipo de investimento.


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