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Burnout no Mercado Financeiro

Atualizado: 18 de out. de 2021

Texto feito por Juliana Castro

 

No final de setembro, o Impactus Social realizou um bate-papo com a psicóloga e responsável pelo RH da Rio Capital, Vanessa Belli Portieri. A ideia era conversar sobre caminhos para manter um ambiente de trabalho saudável e, por consequência, o bem-estar dos funcionários. Após uma conversa recheada de dicas e brainstorms de como implementá-las, ainda torna-se necessário olhar para esse assunto com uma atenção especial.


Recentemente, a temática saúde mental foi bastante discutida no Mercado Financeiro, com a denúncia contra um banco e a carga horária exaustiva de seus analistas. O protesto ocorreu por meio de uma série de slides detalhando semanas de 95 horas e abusos no local de trabalho. De fato, o ambiente financeiro é competitivo, exigente e até cansativo, nós sabemos, mas até que ponto isso deixa de ser uma característica do meio e se torna um problema real na vida das pessoas?


A principal consequência desenvolvida pelo esgotamento profissional é a Síndrome de Burnout. Pouco explorada entre os assuntos do dia a dia, ela revela uma importância significativa. É um nível de estresse extremo que leva o profissional à exaustão física e mental. Segundo o psiquiatra Wagner Gattaz, diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, houve uma alta de 21% de casos em relação à média pré-pandemia. A crise sanitária foi um contribuinte para esse aumento, visto que o trabalho se estendeu para dentro de casa (para aqueles que têm o privilégio do home office). Diante disso, novos desafios surgiram, e delimitar limites entre a vida social e a vida profissional é um deles.


No Brasil, profissionais do setor financeiro ficam em terceiro lugar no ranking de incidência de Burnout, dado obtido a partir da International Stress Management Association (Associação Internacional de Prevenção ao Estresse, em português). Especialistas explicam que o trabalho de alta demanda, aquele em que há muita pressão e cobranças, é apenas um dos riscos para transtornos mentais. Esses casos tendem a aumentar a partir de questões mal resolvidas no local de trabalho, como o clima, as relações, o sistema hierárquico, a comunicação interna, e também por características comportamentais dos empregados, como alta competitividade, ambição e perfeccionismo. Dentre outras, a comunicação insuficiente e a falta de feedbacks definitivamente acarretam para o desenvolvimento de um ambiente de trabalho adoecido.


No entanto, o excesso de trabalho não é exclusivo do Mercado Financeiro, outros setores também enfrentam os mesmos dilemas. Os workaholics (viciados em trabalho, em português) tornaram-se uma tendência e é um estilo amplamente defendido, antes muito encontrado em Wall Street. Para os adeptos à cultura workaholic, também há um sentimento de status que pode ser manifestado sob a forma de uma carreira dos sonhos ou até mesmo de exaustão, exibida como uma espécie de prêmio. Ainda assim, a admiração pela cultura do trabalho pode se tornar muito rápida e facilmente um fator contribuinte para distúrbios psicológicos.


Logo após o caso do banco vir à tona, começaram as movimentações por parte das empresas em entender e ouvir o que seus funcionários têm a dizer. Um padrão de trabalho considerado normal em toda a indústria agora é tema de amplo debate e formas de melhoria vêm sendo discutidas. A própria empresa chegou à decisão de aumentar os salários de seus funcionários juniores como recompensa pelos danos causados. No mesmo viés, outros bancos estão dando a esses funcionários vantagens e prêmios em dinheiro: o Jefferies ofereceu bicicletas de exercício Peloton; o Credit Suisse está pagando um bônus de US$20 mil. A chefe do Citigroup, Jane Fraser, chegou a enviar um memorando aos funcionários pedindo um "reinício" da vida profissional, incluindo limites a videochamadas e arranjos de trabalho flexíveis depois que a pandemia terminar.


As mudanças, ainda que pequenas e imediatas, não podem ser consideradas medidas eficazes ao longo prazo. Tudo se inicia dentro da cultura organizacional da empresa e em como ela se comunica com seus contribuintes. Ao retornar ao encontro de setembro, Vanessa explicou como as ações do departamento de Recursos Humanos mantém os pilares de um ambiente de trabalho saudável e uma instituição comprometida com os problemas da sua equipe.




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