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NFTs: o que são e para que servem?

Por José Henrique e Lucas Perrotta


Os NFTs, ou Tokens Não-Fungíveis, são simplesmente ativos digitais que possuem uma chave eletrônica criptografada que o torna único. Tal chave é gerada a partir da rede blockchain, uma tecnologia de registro de dados em que ocorre a validação de transações entre diferentes agentes e, assim, havendo a autenticidade das NFTs. Esses ativos, portanto, podem ser negociados livremente nas diversas plataformas estruturadas pelo blockchain sendo a Ethereum aquela mais conhecida, embora concorrentes, como Solana, venham ganhando espaço no mercado de NFTs, dada as menores taxas e maior velocidade de transações.


As características de autenticidade, baixa burocracia e progressiva adoção nos mercados digitais são atributos que permitem aplicações das NFTs para diversas esferas do mundo atual. Sendo assim, a tokenização vem sendo utilizada em atividades que vão desde o monitoramento de peças em cadeias de suprimentos até a permissão para o recebimento de royalties de produção musical de artistas independentes, por exemplo.


Em primeiro lugar, a criptografia e o caráter único verificado na rede blockchain tornam os NFTs em “propriedades” de algum indivíduo e, portanto, diversos itens virtuais podem se tornar de fato únicos, mesmo que seja possível outras pessoas terem acesso a eles e reproduzi-los indefinidamente. Isso porque, dada a verificação digital realizada publicamente no blockchain, tal item ganha unicidade podendo assim ser negociado como a propriedade privada de alguém em um mercado específico. Desse modo, itens virtuais como obras de arte, colecionáveis e até mesmo tweets ou memes podem ser tokenizados para comercialização. Ademais, é curioso ressaltar que bens físicos também podem ser negociados via NFTs a partir da criação de tokens que representem tais bens, como contratos que representariam a propriedade de um imóvel.



Artes da Bored Ape Yacht Club, NFTs negociadas por milhões de dólares no mercado de criptoativos


DeFi, ou Finanças Descentralizadas, são meios de finanças experimentais onde inexiste a intermediação de algum indivíduo, instituição financeira ou governo nas negociações entre um comprador e um vendedor. Nesse sentido, as NFTs se relacionam bastante com o conceito DeFi, dado que elas podem ser negociadas livremente em plataformas descentralizadas, criando um mercado capaz de movimentar bilhões de dólares apenas por transações de NFTs. Além disso, a tokenização promovida pelas NFTs também permite outros tipos de utilidades financeiras, como a coletalização para transações de empréstimos em criptoativos: um agente tomador pode oferecer NFTs específicas como garantia de um empréstimo concedido por outro agente.


Outrossim, NFTs também podem ser úteis em contexto de logística. Nas cadeias de produção, as NFTs podem ser usadas para rastrear bens, indicando a sua qualidade e a localidade atual. Nesse sentido, além de ser eficiente para acompanhar a circulação de um produto específico, as NFTs também se mostram como uma medida preventiva contra a falsificação, pois o sistema de validação estruturado na rede blockchain garante a autenticidade dos contratos inteligentes. Em 2019, a marca de produtos luxuosos Louis Vuitton anunciou que estaria construindo uma plataforma blockchain para autenticar a origem de seus produtos, buscando, assim, garantir que seus produtos de alto valor agregado evitem ser falsificados.


Outras diversas funcionalidades que as NFTs possuem dialogam com o mundo dos games, onde jogadores podem obter itens raros passíveis de ser negociados no jogo no formato de tokens ou mercados externos, como é o caso dos games Axie Infinity e Battle Pets. Além disso, hoje os NFTs também já estão inseridos no mundo da música, no qual qualquer produção pode ser negociado de modo tokenizado em redes de blockchain. Artistas independentes também vêm buscando se integrar nesse mundo para receber royalties de seus trabalhos, dada a concorrência com as grandes plataformas de streaming em rentabilizá-los.


Embora possua propostas revolucionárias para vários ambientes do nosso cotidiano no século XXI, a “tokenização das coisas” se depara com vários desafios de longo prazo que exigem maior amadurecimento de sua rede.


Primeiramente, a barreira mais clara para o desenvolvimento de muitas das iniciativas dos NFTs é a regulamentação estatal. A utilidade das NFTs de funcionarem como cartório descentralizado, por exemplo, na validação de propriedade privada, tem sido discutida por especialistas dada a possibilidade tal organismo ferir as leis de determinadas nações com, dentre outras infrações, a sonegação de impostos ou fraude. Portanto, a progressiva regularização das transações realizadas por NFTs é um processo pelo qual essa categoria de instrumento digital possa se tornar mais comum a um número maior de pessoas, embora as discussões em torno de como tal regularização poderia ser efetuada, ainda seja temática acalorada em muitos países.


Ademais, as NFTs surgiram muito recentemente no mundo dos criptoativos, marcado pelo surgimento de muitas novidades e projetos substancialmente ambiciosos. Portanto, é bem provável que inovações tecnológicas desse tipo passem por processo de amadurecimento, isto é, atravessar um caminho em que poucas ideias de fato são bem sucedidas enquanto a maioria de iniciativas tenderão a fracassar. Desse modo, devido ao atual estágio de experimentação de muitas funcionalidades e um mercado extremamente competitivo, a tokenização provavelmente ainda passará por um árduo processo de amadurecimento que, no longo prazo, poderá dar bases mais sólidas aos projetos vencedores e mais segurança e estabilidade para os mercados onde ocorre as negociações.


Por fim, a temática ambiental, embora não diretamente relacionada às NFTs em si, é um assunto bastante discutido no mundo cripto. Desse modo, a problemática ambiental reside no fato de que, para o pleno funcionamento das redes de verificação de transações dos criptoativos, é exigida máquinas de grande potência em consumo de energia que pode influenciar o aumento da poluição com gases do efeito estufa. Isso porque muitos países se utilizam de fontes energéticas sujas, como o carvão. Desse modo, a questão ecológica de toda a estrutura de organização mundial dos criptoativos vem sendo muito enfatizada, sobretudo relacionada à rede Ethereum, berço das NFTs, que possui uma das redes que mais consomem energia globalmente.

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